A internet que a gente quer: Carol T. Moré, do Follow the Colours

29/06/2016 por

carol

A Carol T. Moré é uma dessas pessoas que diariamente constrói a internet, fazendo um conteúdo pop sobre arte, design, decoração, gastronomia e viagens, além de tatuagem, que parece ser um hit entre seus leitores. É ela quem comanda o Follow the Colours, site que se expandiu e conta com uma rede de colaboradores, além de ter virado uma loja online também.

Com toda essa experiência, como será que ela responde à pergunta: como é a internet que você quer?

Leiam abaixo a resposta! :-)

#ainternetqueagentequer por Carol T. Moré, do Follow the Colours

Eu ando pensando muito nisso, porque uma das coisas que mais me choca ultimamente são os comentários. Eu procuro sempre por uma internet mais “do bem”. Por notícias boas, coisas que inspiram, novidades bacanas, iniciativas que fazem o coração pulsar, conexões que acrescentam algo no nosso dia a dia. Se algo não me agrada ou eu não concordo, não saio falando tudo o que me vêem a cabeça como muitas pessoas fazem. Há de se ter respeito por toda opinião, porque a gente nunca sabe o que o outro pode ter passado ou está passando. Muita gente se esquece que por trás de uma tela ou de um avatar nas redes sociais existe uma pessoa com sentimentos e emoções.

O que poderia ser utilizado para nos ajudar a explorar novos horizontes, ter visões diferentes das nossas e abrir a cabeça, está se mostrando de maneira errada e muitas vezes abusiva. Acredito que a internet veio pra somar, pra ser algo bom, pra encurtar distâncias, te fazer viajar, para você aprender, se inspirar.

Profissionalmente falando, eu queria que a internet fosse mais focada em qualidade e não tanto em quantidade, números, cliques. Hoje, muita coisa de resume a isso e eu não acredito ser só assim. Há inúmeras iniciativas bacanas que mostram isso e é junto com eles que quero estar. A gente também está aprendendo com todo esse movimento online e parece não existir espaço para erros. Existem medos e falhas, sim. Vamos combinar? A vida não é perfeita que nem se mostra no Instagram. Portanto a internet seria melhor se ela fosse mais humanizada, porque ela é feita por pessoas e é para as pessoas. A gente deveria se preocupar mais com o impacto que aquilo pode ter na vida de alguém e não com o tanto de likes que recebe.

Pode soar ingênuo, mas eu quero uma internet onde as pessoas que tem afinidade se ajudem e se respeitem, onde o trabalho de cada um seja valorizado. Eu ainda acredito que boas histórias e inspirações transformadas em pixels conectam pessoas.

 Acredito que o meu projeto exista para inspirar as pessoas e dizer: “ei, existem novos caminhos na arte, no design, cultura, decoração, tecnologia, gastronomia e viagens, que tal se informar de uma maneira descolada, sem amarras e tentar?”. Existem alternativas diferentes, artistas maravilhosos e talentosos por aí, projetos e inovações de gente que dá duro para crescer.

Eu tento fazer tudo com bastante transparência, amor e com o objetivo de estimular as pessoas através de um conteúdo informativo e divertido. Se posto uma tendência, não é ditando moda, mas sim, querendo mostrar que aquilo pode sim, te dar um caminho caso você queira tentar. Sempre tomo cuidado também com as fontes das matérias, ao dar créditos, em entrevistar novos artistas, dar espaço aos que estão começando, em fazer fotos interessantes, expor ideias e pessoas que merecem divulgação. 

Acho que o FTC fala justamente sobre isso. Sobre essa troca, com pessoas, ideias e leitores tão interessantes como os projetos de vocês. =) 

Quem já passou por aqui:

Ana Luiza Gomes, do projeto Andarilha

A internet que a gente quer: Ana Luiza Gomes, do Andarilha

22/06/2016 por

ANALUIZA

Como é a internet que você quer? Como você contribui para a construção dela? Na edição de hoje, quem responde é Ana Luiza Gomes, designer e pequisadora. É ela quem faz o projeto Andarilha, uma plataforma de pesquisa e curadoria dedicada a mapear percursos artísticos que caminham pela nossa cultura. “Nossa missão é registrar, salvaguardar e difundir histórias de músicos, fotógrafos, cineastas, escritores e artistas que buscam em seu cotidiano, sua história de vida e família referência para projetos inspiradores”, resume.

A gente adora o trabalho da Ana. Foi ela quem fez os logos do Don’t Touch My Moleskine, do Vai lá e do Autoajuda do dia. E todos são tão bons que a gente vive tentando trabalhar com ela de novo!

Vamos ler suas reflexões sobre o tema? :-)

#ainternetqueagentequer por Ana Luiza Gomes, do Andarilha

De uma avó andarilha, herdei inúmeros sotaques na família e o costume de fazer longas viagens de ônibus. Somos uma família espalhada pelos mais diferentes estados e, vira e mexe, ainda em movimentos migratórios. E apesar das longas distâncias, somos próximos. Ser neta dessas andanças, me trouxe vários questionamentos. Um deles é que, de tantos lugares para se viver pelo país, concentramos esse mundo infinito de pessoas nos grandes centros urbanos do Sudeste. Vir morar em São Paulo confirmou essa percepção; uma cidade fruto de uma centralização desumana de gente. O “ter de ir pra SP” nunca foi um discurso entre parentes. Aliás, eu sou a primeira a morar no estado. E aqui me encontrei com muitas pessoas com saudades e sonhos de seus lugares: que muitas vezes habitam as memórias de seus avós nordestinos, os dias de férias a beira mar em Ubatuba, os domingos no sítio do tio no interior de Goiás, os almoços tragos pelos amigos em isopores de Belém.

Já reparou como esse lugar de lembranças é inspirador? Quanta gente caminha em sua direção em busca de montar um restaurante, fazer uma música, escrever um livro, filmar um documentário? É isso que buscamos estimular pelo Andarilha, que os percursos artísticos permeiem nossa cultura de ponta a ponta, através de um território muito mais do humano, do afeto e da memória. Compreendemos que, para além de sermos Norte, Sul: somos trajetória. E, se isto é mais rico que viver aqui ou ali, como fazer com que as oportunidades sejam também desterritorializadas?

Existem muitas questões políticas e sociais que envolvem essa pergunta, porém, há nos discursos artísticos e culturais que mapeamos, uma força motriz essencial para a desterritorialização:  valorizar os saberes cotidianos e as histórias de vida. Se olharmos para o lugar onde vivemos e de onde viemos com mais inspiração, inquietação, questionamento, haverão alí ideias, soluções, e então: oportunidades. 

E SE A INTERNET QUE A GENTE QUER FOSSE FERRAMENTA ÚTIL NA DESCENTRALIZAÇÃO TERRITORIAL DAS OPORTUNIDADES?

Andarilha, como uma plataforma que nasce online, surge justamente dessa internet que a gente quer. Não só por salvaguardar os percursos artísticos de pessoas pelo Brasil, mas também por conectar essas pessoas. Somos uma rede que tenta trafegar por essa pergunta e levantar outras muitas. Será que a internet pode ajudar de alguma forma um fotografo que quer viver no interior de Pernambuco a ter tantas oportunidades quanto um que vive na capital? Será que estar conectado ajuda de alguma forma quem está na periferia a ter oportunidades como quem está nos grandes centros?

Recentemente, estive em uma roda de conversas com mestres do Carimbó em Belém do Pará a convite de Isaac Loureiro, pesquisador cultural e coordenador-geral da campanha “Carimbó Parimônio Cultural Brasileiro”. Todos discutiam sobre um edital de cultura cujos registros e as documentações eram feitos principalmente por áudios e vídeos de celular pelos próprios mestres. Observe, a internet aqui não era apenas uma ponte de conexão para se chegar em territórios distantes ou para simplesmente facilitar as dificuldades de apropriação da linguagem específica dos editais por parte dos participantes. A oralidade de suas histórias, o gingado de suas danças, os sotaques de suas músicas, tudo isso foi garantido pelas ferramentas de conexão atuais, entre elas, a internet.

Conversando com a renomada fotógrafa Maureen Bisilliat, pergunto: “se a maioria dos artistas que entrevisto a citam como uma das principais influências em registros de brasilidades, quem é a sua grande referência?” O que a inspira são os moradores dos lugares que antes ela visitava e que agora são fotógrafos e documentam seu próprio cotidiano. Finalmente,para muito além de construir pontes para que as oportunidades cheguem até tais pessoas, são elas mesmas quem constrõem suas oportunidades e, através também da internet, as potencializam.

Nesse sentido, Andarilhamos. Em encontro a pessoas que, em seus fazeres, estimulam um olhar para a família, em busca de inspiração; para o cotidiano, em busca de referência. A internet é um dos caminhos – e muitos outros são tão importantes quanto. Mas foi através dela que conheci uma amiga com quem criei o meu primeiro site em 1997. De lá para cá, fiz novas conexões, aprendi outras tecnologias, mas a minha vontade de descolonizar olhares e desterritorializar oportunidades fez morada.

Quem já passou por aqui:

Patricia Abbondanza, da Dedo de Moça

Debora Baldin, do Canal das Bee

Bia Granja, do YouPix

Michell Zappa, da Enviosioning

Contente apresenta Detox digital

13/06/2016 por
Filipe Redondo

 

Alerta textão! contente.vc/detoxdigital

Quem lê tanta notícia? Tem hora que dá vontade de desligar a internet e viver a paz de não receber centenas de notificações por dia, não é mesmo? Foi dessa agonia do excesso e da vontade de aprender a fazer pausas que surgiu a ideia do Detox digital, uma investigação da Contente sobre o excesso de consumo informação em que estamos vivendo.

A ideia partiu do livro “A dieta da informação”, de Clay Johanson, que traça um paralelo entre o consumo de comida e o de informação e diz que estamos obesos no corpo e na mente, uma vez que fazemos escolhas baseadas na saciedade imediata, e não necessariamente na nutrição. Para responder às perguntas, partimos de uma investigação pessoal e convidamos várias pessoas que vivem a internet intensamente para darem suas contribuições.

O especial, escrito por Daniela Arrais, traz entrevistas com Tiago Dória, Ellen Langer, Ronaldo Lemos, Pedro Burgos, Cláudia Prioste, David Baker, Bia Granja, Rosana Hermann, Edney Souza, Jana Rosa, Juliana de Faria e Marina Bortoluzzi, além de textos de Luiza Voll, Gustavo Gitti, Rafaela Marques, Yentl Delanhezy e Luisa Martini. As fotos são do Filipe Redondo, a revisão da edição, do Leandro Beguoci, e o design, do Guto Nunes.

Para ler com calma e com tempo: contente.vc/detoxdigital

[Tempo estimado de leitura: 45 minutos]

#notíciascontentes #detoxdigital

A internet que a gente quer: Patricia Abbondanza, da Dedo de Moça

08/06/2016 por

pati2

Como é a internet que você quer? Como você contribui para a construção dela? Na edição de hoje, quem responde é a Patricia Abbondanza, que faz a Dedo de Moça, uma escola de gastronomia que funciona online e offline.

A gente tem uma relação de muito carinho com a Dedo de Moça, pois a empresa foi uma das primeiras a contratar a Contente, bem no comecinho da nossa jornada, há seis anos. Adoramos acompanhar as mudanças e a evolução que a Pati e sua equipe fazem a cada ano. E, claro, nos deliciamos com as receitas para todas as ocasiões.

Vamos lá?  :-)

#ainternetqueagentequer por Patricia Abbondanza, da Dedo de Moça

Eu tenho pensado muito sobre isso. Engraçado o convite para responder à pergunta ter vindo bem agora! Só que depois que olhei quem já tinha escrito fiquei me sentindo muito café com leite. Mas vamos lá tentar fazer um macchiato.

Eu sinto a internet muito bipolar e superficial. Bipolar porque acho que as pessoas andam usando as redes sociais como vitrine para seus momentos incríveis e, ao mesmo tempo, também despejando por aqui muita agressividade. Geralmente usam um tom muito mais rude em um comentário ou email do que usariam pessoalmente. E falando de superficialidade, eu sinto hoje uma rede muito ansiosa. Tudo muito rápido e raso. Claro que não dá pra generalizar, mas hoje esse é um sentimento forte que fica pra mim.

Por exemplo, eu tenho o costume de dividir coisas legais que acontecem na minha vida, mas recentemente eu tive um “big fracasso” e fiquei com vontade de falar sobre esse momento triste na rede, assim como falo das minhas vitórias. Aí rolou o medo do julgamento e faltou coragem de me expor. Quem sabe, apenas quem sabe, agora que eu já falei aqui eu tome coragem?

Posto meu cenário e respondendo à pergunta, eu queria que a internet fosse mais verdadeira e serena. Gostaria que o ambiente fosse mais acolhedor, com menos julgamento e mais empatia. Que os conteúdos fossem menos frenéticos e mais profundos. E, principalmente, que a gente pudesse se sentir à vontade para ser verdadeiro e entregar o que temos de melhor. Isso não vale só para a internet, mas para a vida.

Conexão: Ligação de uma coisa com outra. Ligação entre duas peças, mecanismos, dispositivos etc. Dependência, relação, nexo. Analogia entre coisas diversas. Coerência. Pra mim internet deveria ser isso.

Quem já passou por aqui:

Debora Baldin, do Canal das Bee

Bia Granja, do YouPix Hub

Michell Zappa, da Envisioning

As pessoas não gostam de publicidade, mas adoram uma boa ideia

07/06/2016 por

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Quase tudo na Contente se baseia em hashtags. Além de ser o conhecido símbolo de jogo da velha, hashtag também um convite e uma forma de agrupar conteúdo. Fazemos isso com as fotos do Instamission, do #amoresanônimos, do #retratosanônimos, do #vailasp, do #minhacartadeamor, vocês já sabem. E adoramos ver como outras hashtags vão criando conversas por aí.

#voyeurdoestendal é uma dessas iniciativas que surgem para trazer beleza para o feed. E ainda vem com uma história legal junto. “A ideia surgiu da nossa vontade de continuar a fazer projetos para a Câmara Municipal de Lisboa e, assim, divulgar a cidade”, nos conta Guilherme Nunes, publicitário carioca radicado na capital portuguesa há três anos – e também assíduo colaborador do @amoresanonimos. O primeiro projeto, assinado pela agência Leo Burnett Lisboa, foi o LX Type, que “encontrava uma fonte a partir dos cabos dos eléctricos”. O segundo, o LX UP, quis “descobrir os miradouros escondidos da cidade, para além dos 16 oficiais”.

Os varais espalhados pela cidade deram ideia para o terceiro projeto. “Estávamos sem nada para este ano e começamos a falar sobre os estendais, já que eu tinha umas milhares de fotos. Percebemos que, além de ser algo bem típico de Lisboa, eles nos diziam algo a mais. Se tivesse muita roupa para fora, um dia com muito sol vinha pela frente. Se tivesse sem nada ou com um saco por cima das roupas, provavelmente seria um dia chuvoso. E assim resolvemos criar um aplicativo que dá a previsão de tempo baseada em um ícone lisboeta: os estendais”, detalha. O app também dá dicas do que fazer na cidade, de acordo com o tempo. Veja > https://itunes.apple.com/en/app/lxcelsius/id1077486441?mt=8

“Outro dia li que as pessoas não gostam de publicidade, mas adoram uma boa ideia. Acho uma grande verdade e, por isso, tentamos criar projetos que gostaríamos de fazer, mesmo que pessoalmente, mas que sejam perfeitos para alguma marca. E assim as coisas vão tendo mais graça. Bom para as marcas. Bom para nós.” A gente também acha.

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