Você está cansada, ansiosa, com a cabeça a mil… Aconteceu um problema, e talvez você não queira pensar nele no momento, tampouco resolvê-lo.
Você passeia pelos streamings e acaba escolhendo uma série tensa ou violenta ou cheia de tragédia, ou uma combinação de tudo um pouco. Assassinato? Tem. Apocalipse? Também.
Quando a vida real está caótica, parece que o cérebro procura outro caos, dessa vez com roteiro.
A ciência explica esse “conforto”que buscamos. Nosso cérebro sofre com incerteza. Enquanto estamos ruminando nossos próprios problemas, estamos na seara do desconhecido.
Ver uma outra história acaba funcionando: além de ver os problemas de outras pessoas, eles ainda têm começo, meio e fim. É quase como se conseguíssemos acessar alguma sensação de controle.
A nossa ansiedade continua operando, mas o cérebro se distrai com um sofrimento previsível.
Além disso, os streamings funcionam buscando nossa atenção o máximo de tempo que der. Um episódio termina com um gancho que torna quase impossível não passar para o próximo.
O algoritmo pergunta: você ainda está aí? É claro! Com tanto medo, tanta tensão, a única opção é continuar assistindo.
(Tem até nome pra isso: cliffhanger “(em português, ‘segurando-se na beira de uma montanha’) é um recurso de roteiro utilizado em ficção, que se caracteriza pela exposição do personagem a uma situação limite, precária, tal como um dilema ou o confronto com uma revelação surpreendente.” Wikipédia)
É mais fácil ficar maratonando “The Pitt” do que encarar aquela DR que você sabe que precisa ter.
Séries tensas e intensas pedem tanto foco que a gente se distrai dos nossos próprios problemas. O episódio acaba, a temporada fecha, o mistério tem solução.
Talvez, quando a gente entra nesse looping, esteja buscando “conforto”, por mais estranho que pareça. Algum controle. Um anestesiamento mesmo, aquela sensação de desligar a cabeça, sabe?
Será que o entretenimento está virando extensão da nossa ansiedade? Porque não faltam títulos que colaboram pra isso, enquanto faltam outros que nos ajudem a sair desse estado, será?
Qual foi a última série que você maratonou num momento complicado da vida? E como ela te fez se sentir?